Grupo Microland

Lembranças da Pele

In Lembranças da Pele on 08/19/2009 at 16:37

A velhinha de Annestad
por Peter K. Lacklean

Velhinha de Annestadt é uma senhora idosa, com mais de sete décadas de vida bem vividas. Casou-se com apenas um homem, acha um absurdo hoje em dia as pessoas trocarem de cônjuges várias vezes sem que os respectivos faleçam, e o dela faleceu há quase vinte anos, deixando como única lembrança prontamente visível na sala de jantar um retrato de busto, numa moldura oval, com as bordas embranquecidas. Teve duas belas filhas, Soninha e Nina, que ela criou com a severidade e a doçura que a educação e o tempo exigiram, e ficou satisfeita com o trabalho. Ambas moram em Guillaumsbourg e não visitam a mãe como antigamente, é verdade, mas ainda assim convenceu-se do bom trabalho. Só o marido da Soninha que não presta.

A sua casa fica no subúrbio da cidade, onde outrora fora um sítio e as galinhas passeavam despreocupadamente na cozinha. Mas a Velhinha de Annestadt não é mesmo uma velhinha antiquada – já usa até computador! –, e sim, digamos, um pouco nostálgica. Simples, acima de tudo. Casa simples, com paredes azul-claro, cristaleira de mogno e mesa de jacarandá, de quando essas madeiras ainda não eram de lei. Relógio de pêndulo, cumbuca de barro para a água, lavabo de porcelana e fotos de revelação colorizada dos pais, muito sérios. A velhinha é calma, sensata, tem uma excelente saúde para a sua idade, ainda põe acento circunflexo em “ovo”. E vive bem.

Mas o que há de interessante na Velhinha de Annestadt para se escrever? É que ela, em boa consciência e longe da esclerose, vivendo sua vida simples, seus valores morais e seu desprendimento, ainda que tímido, dos seus anos de juventude, é a única pessoa que, real e sinceramente, acredita que o mundo tem futuro. A Velhinha de Annestadt confia no governo, no Estado, nas organizações internacionais. Acredita que a lusofonia vai pra frente. Isso tudo de cima da sua cadeira de balanço.

Ela já viveu muito, já viu muito, passou por uma revolução separatista, uma Guerra Fria, pelo principado. Chorou ao saber do sumiço da Princesa Anne Sourbonne, mas foi republicana. Não gosta de olhar para o passado, e sempre lembra dos netos ao olhar para o futuro. E, na visão pessoal da Velhinha de Annestadt, o futuro é bastante otimista.

Não que ela seja alienada ou desinformada, pois adora saber o que se passa. Mas possui um jeito único de formar as suas opiniões políticas. Ainda tem esperanças de preparar um bolo pro Lúcio Costa Wright ao convidá-lo para uma visitinha e um chazinho, já que ela mesma não pode ir sozinha a Chateau Rouge. Acha a presidente Jeniffer MacLeod “uma gracinha”, e tem toda a confiança nos “meninos no Conselho das Florestas. De maneira alguma ela se deixa envolver por fatores puramente emocionais, mas singelamente gosta de saber que as “pessoas de bem trabalham direitinho”.

Internacionalmente é a mesma coisa. Condena o paplismo (“é uma pouca vergonha!”) e sabe que, um dia, aqueles que semeiam a discórdia irão mudar. Evita comentar os incidentes e os ataques generalizados, mas nada que um bom chá de erva cidreira não acalme.

É verdade que muitas vezes a Velhinha de Annestadt é incompreendida. Já sofreu duras críticas de familiares e amigos. Uma vez, o moleque que empacotava as suas compras na vendinha perto da sua casa a chamou de fascista, mas foi fortemente repreendido. Não pela Velhinha, mas pelas pessoas que estavam na vendinha àquela hora. Isso porque, independentemente de posições políticas, por mais que haja alguns que discordem dela, ou já a considerem esclerosada, as pessoas não podem evitar de gostar dessa simpática velhinha. Ela é um doce, doce e otimista. Impossível fazer mal algum à Velhinha de Annestadt.

Este contículo é uma homenagem ao escritor Luís Fernando Veríssimo e aos micronacionalistas de todos os países.

Publicado originalmente no Utrecht Register Caderno 2 – Readers – Ano II – Edição XIV, 16 de Abril de 2002

Em Orange

In Aconteceu em Orange on 08/19/2009 at 16:28

A Secretária Geral Jeniffer R. MacLeod nomeou Ricardo Barros como presidente interino da Suprema Corte e  Gaby Nuty, como presidente interina do Parquet, cabendo a eles abrirem concurso para as vagas definitivas. A prova para a SCJ está sendo elaborada pelo nosso chato colunista, que enrolou durante semanas com a coluna que não enviou, diz estar recluso e não recebe ninguém em seu gabinete enquanto prepara torturas inenarráveis para o exame de admissão. Coitados dos inscritos.

Orange já restabeleceu três de suas antigas embaixadas, a primeira no Reino Unido dos Açores, ocupada por Ricardo Cochrane, a segunda no Sacro Império de Reunião, ocupada pelo Rafael Marques e a terceira em Pasárgada ocupada pelo Marcelo Biskit, que, por problemas em seu computador, ainda não conseguiu se aparesentar formalmente na micronação.

Açores foi a única micronação até agora em trocar oficialmente embaixada com Orange, encontra-se na Chez o próprio Rei, SMR Wagner I.

Após a polêmica proposta da criação de um Conselho de Estado vitalício que tutelaria os sítios, listas, enfim, a infraestrutura geral de Orange, a Chez Marianne encontra-se parada. A volta às aulas e ao trabalho, de grande parte da população Oranger, aliada ao falta de novatos, parece que levará, em breve, Orange a um novo coma profundo.

O Florester Guilherme Lenin, nosso embaixador na Suiça – ele diz estudar lá, mas o que ele faz mesmo é lavar o dinheiro do Grupo Barman – , após apresentar o seu mestrado prometeu retornar para as atividades em Orange e, ainda este mês, lançar a proposta para as reformulação das províncias Orangers; a mais tradicional de todas é Lafayette, criada pelo norte-americano Jean Tisserand na dédacada de 60.

Se de turismo se fizesse micronacionalismo Orange estava bem, na Chez temos cidadãos de Açores, Reunião, Pasárgada, St. Martin, Reino da França, Principado de Nivent, entre outros.  O povo gosta de viajar :-)

Apesar dos diversos contatos tentados com Sofia, nenhuma resposta… eles ainda existe?

Editorial

In Editorial on 08/19/2009 at 15:57

Lembro-me, saudosamente, de quando conseguia tocar a Microland, quanto tempo sobrando eu tinha!!! Agora mal consigo atualizar esse jornal, mas é a vida, alguns com tanto para fazer e outros tão desocupados, a lusofonia vive de gente com algum tempo sobrando o suficente dar a impressão (falsa?) de atividade.

Esta semana Pasárgada montou uma comunidade de nações, formada nominalmente por Andorra Imperial e por outras micronações não mais existentes e/ou completamente inativas. Uma espécie de reação política veio da CAI, Causa Anárquica Icariana, que lançou ontem um manifesto que recebeu apoio do Primeiro-Ministro José Luiz Borras, ex-andorrano.

Enviado por MacMillan Hunt, ex-westerland, o texto, na íntegra, segue abaixo:

CAI

Causa Anárquica Icariana

A CAI, Causa Anárquica Icariana, é uma agremiação surgida nos confins de Icária por cidadãos daquele Cantão inconformados com o rumo do Cantão de Icária, da Comunidade Livre de Pasárgada e da Lusofonia. Cansados de uma representação falha no Parlamento, onde partidos políticos – aproveitando-se da falta de interesse político reinante em Icária – utilizam o Cantão para angariar suas cadeiras representativas na Casa Legislativa Comunitária e ditar os rumos do país segundo o que querem.

Os interesses icarianos, assim, definham, e a representação icariana no altos poderes pasárgados literalmente é inexistente. Os oradores eleitos por Icária seguem Casas Políticas que nada tem a ver com os interesses do Cantão, por natureza anárquicos. Icária deve deixar de ser um fantoche, de ser nula.

A falta de ideais concretos no Cantão leva a uma total estagnação de nossas bandas. Icária não sabe o que quer, Icária já quase não existe. É necessária uma força-tarefa para reerguer valores, morais, decisões, gostos, causas e peculiaridades em nosso Cantão. Valores que não dizem respeito somente a nossa esfera cantonal, mas também a toda a Comunidade Lusófona. O que Icária quer do micromundo? Como a nossa anarquia pode existir, ser praticada e contribuir para o Cenário Lusófono? Estas são questões que a CAI deve resolver.

A CAI É CONTRA A PSEUDO-ANEXAÇÃO DE PORTO CLARO.
A CAI É CONTRA O RECONHECIMENTO DE PORTO CLARO OCIDENTAL.
A CAI É CONTRA A MANIPULAÇÃO BURGUESA DE REUNIÃO.
A CAI É CONTRA A USURPAÇÃO DO PASSADO HISTÓRICO MICRONACIONAL.
A CAI É CONTRA O ROUBO DE DOMÍNIOS HISTÓRICOS DE MICRONAÇÕES NA WEB.
A CAI É CONTRA A ANEXAÇÃO MANIPULADA OU FORÇADA DE MICRONAÇÕES.
A CAI É CONTRA A DANÇA-DAS-CADEIRAS NO PARLAMENTO PASÁRGADO.
A CAI É CONTRA O JOGO DE AMIGOS QUE SÃO AS CASAS POLÍTICAS PASÁRGADAS.
A CAI É CONTRA POUCOS DECIDINDO POR MUITOS.

A CAI QUER QUE ICÁRIA ESTABELEÇA SEUS RUMOS.
A CAI QUER QUE ICARIA DITE MAIS SOBRE SEUS RUMOS ESCOLHIDOS.
A CAI QUER SER A VOZ DE ICÁRIA NOS PODERES PASÁRGADOS.
A CAI QUER SER A VOZ DA ANARQUIA ICARIANA.
A CAI É A FAVOR DA LUTA PELA LIBERDADE.

CONCLAMAMOS TODOS OS ICARIANOS E MICRONACIONALISTAS A MANIFESTAREM SUAS INTENÇÕES EM PARTICIPAR DESTE MOVIMENTO DA DIGNIDADE ICARIANA E DA LIBERDADE MICRONACIONAL LUSÓFONA.

SÓ COM A PARTICIPAÇÃO DOS ICARIANOS ESTE MOVIMENTO PODERÁ SAIR DO PAPEL E REALMENTE OCUPAR UM LUGAR DE PODER NA REALIDADE EM QUE VIVEMOS E ASSIM AJUDAR A CONSTRUÍ-LA SEGUNDO OS NOSSOS PRÓPRIOS IDEAIS.

NÃO TENHAIS MEDO, ESQUECEI O PASSADO, OS LAÇOS E AS PROMESSAS, UNI-VOS POR UMA LUTA DIGNA!

Icária, Morro do Só, 19 de Agosto de 2009.

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